Como diagnosticar endometriose?

O diagnóstico da endometriose ainda é o maior desafio no contexto clínico da doença. Há casos em que, do início dos sintomas até o diagnóstico, passam-se mais de 7 anos. Tal dificuldade decorre do fato de muitas das portadoras da doença serem assintomáticas ou apresentarem sintomas discretos e pouco específicos. Apenas 50% dessas mulheres apresentam os sintomas clássicos, que são dor pélvica crônica, dismenorreia, dor na relação sexual, sintomas intestinais e urinários relacionados ao ciclo menstrual, ou ainda infertilidade.

Há outros motivos que dificultam ou até mesmo impedem o diagnóstico com precisão. Isso ocorre, por exemplo, em situações de diagnóstico inicial incorreto, como, por exemplo, em casos de cistite ou síndrome do colo irritável. A dificuldade de detecção das lesões via exame físico ginecológico também contribui para o diagnóstico incorreto.

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Diagnósticos por imagem

Os diagnósticos por imagem são capazes de detectar os endometriomas e as lesões de endometriose profunda, que são aquelas com focos maiores de 5 mm e que infiltram a superfície peritoneal.

Em geral, na prática clínica diária, as modalidades de diagnóstico de endometriose por imagem mais utilizadas são: a ultrassonografia transvaginal, com preparo intestinal, e a ressonância magnética da pelve, em detrimento de outras modalidades já amplamente testadas, como enema opaco (que avalia lesões intestinais), ecocolonoscopia, ultrassom transretal, tomografia computadorizada e cistoscopia.

Em relação aos dois primeiros métodos citados, cabe mencionar que não se tratam de métodos concorrentes, e sim complementares. O processo de análise pode se dar inicialmente pela ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e, em situações nas quais sejam detectadas distorções anatômicas, devido a ação de intenso processo aderencial, ou quando existe comprometimento dos ureteres, a ressonância magnética poderá ser utilizada para refinar essa avaliação.

O diagnóstico por imagem é extremamente relevante no contexto clínico da endometriose. Isso porque, além de possibilitar a identificação das lesões, representadas pelos cistos de conteúdo espesso ovariano e os nódulos de endometriose profunda, também permite verificar as dimensões, estruturas comprometidas e o grau de infiltrações das lesões nessas estruturas.

Esses métodos de imagem também são importantes pela capacidade de identificação e correta extensão das lesões no pré-operatório, e para lesões subperitoneais, as quais não são acessíveis quando utilizado o método de laparoscopia, pelo fato dessas lesões situarem-se abaixo do peritônio.

As lesões de endometriose são por vezes comparadas aos icebergs, pois sua parte mínima extrapola a superfície do peritônio, apesar de que seu bojo está em uma camada mais interna.

No pós-operatório, os métodos de imagem permitem a detecção de recidivas ou persistência de lesão, e estimar o grau de recuperação do paciente.

Numa situação em que a paciente só tenha condição de realizar um tipo de exame, é recomendável que o faça com um especialista em endometriose, independentemente se este atuar no âmbito ultrassonográfico ou de ressonância magnética. O método a ser utilizado é o menos importante a essa altura. A perícia técnica do profissional em pelo menos um desses dois métodos recomendados é que deve ser visada, haja vista que o diagnóstico depende essencialmente do operador e não da máquina, dada a necessidade de acuidade na análise dos dados fornecidos pelo equipamento.

Laparoscopia

Por outro lado, os métodos de imagem se mostram ineficientes para casos de lesões de endometriose superficial, dadas as dimensões diminutas destas. A laparoscopia é mais indicada para detecção desses casos.

Exame de toque ginecológico

Lesões que se localizem na região retrocervical, que é aquela que fica atrás do colo do útero e junto à cúpula da vagina, são detectáveis pelo exame de toque ginecológico.

Já o diagnóstico de lesões em outras regiões, como na cúpula da bexiga, parede anterior do útero ou ao longo do retossigmoide, se mostram difíceis de serem efetuados via exame de toque, principalmente em função da inacessibilidade dessas regiões.

Colonoscopia

As lesões que acometem o intestino grosso penetram a parede do intestino de fora pra dentro. Portanto, em uma colonoscopia convencional, é possível que estas não sejam detectadas, comprometendo o resultado do diagnóstico. Ademais, se a detecção ocorrer de forma tardia, eventualmente a mucosa poderá ser atingida, porém, raramente uma lesão de endometriose atinge esse nível, o que a poderá manter imperceptível se analisada apenas por esse método.

Dessa forma, para que o diagnóstico seja possível e eficaz, a colonoscopia combinada com um método ultrassonográfico denominado ecocolonoscopia, é a forma mais indicada.